domingo, 2 de outubro de 2016

MISSA EM BAKU, AZERBAIJÃO: HOMILIA DO PAPA (TEXTO INTEGRAL)

O Papa Francisco celebrou Missa na Igreja da Imaculada Conceição em Baku, Azerbaijão, neste dia 2 de outubro., XXVII domingo do Tempo Comum. Publicamos o texto integral da sua homilia:
“Hoje a Palavra de Deus apresenta-nos dois aspetos essenciais da vida cristã: a fé e o serviço. A propósito da fé, temos dois pedidos particulares dirigidos ao Senhor.
O primeiro é do profeta Habacuc, suplicando a Deus para intervir restabelecendo a justiça e a paz que os homens romperam com a violência, lutas e contendas: «Até quando, Senhor – pergunta o profeta –, pedirei socorro, sem que me escutes?» (Hab 1, 2). Em resposta, Deus não intervém diretamente, não resolve bruscamente a situação, nem Se torna presente com a força. Pelo contrário, convida a aguardar com paciência, sem nunca perder a esperança; sobretudo sublinha a importância da fé: porque o homem viverá pela sua fé (cf. Hab 2, 4). Do mesmo modo procede Deus também connosco: não subscreve os nossos desejos que pretenderiam mudar imediata e continuamente o mundo e os outros, mas visa antes de tudo curar o coração: o meu, o teu, o coração de cada um. Deus muda o mundo, mudando os nossos corações, mas isto não o pode fazer sem nós; com efeito, o Senhor deseja que Lhe abramos a porta do coração, para poder entrar na nossa vida. Esta abertura a Ele, esta confiança n’Ele é precisamente «o poder vitorioso que venceu o mundo: a nossa fé» (1 Jo 5, 4). Porque, quando Deus encontra um coração aberto e confiante, nele pode realizar maravilhas.
Mas ter fé – uma fé viva – não é fácil e, daí, o segundo pedido; o pedido que, no Evangelho, os Apóstolos dirigem ao Senhor: «Aumenta a nossa fé!» (Lc 17, 5). É uma boa petição, uma súplica que poderíamos também nós dirigir a Deus todos os dias. Mas a resposta divina é surpreendente e, também neste caso, devolve-nos o pedido feito: «Se tivésseis fé...» É Ele que nos pede para ter fé; porque a fé, que é um dom de Deus e sempre se deve pedir, tem de ser, por sua vez, cultivada também por nós. Não é uma força mágica que desce do céu, não é um «dote» pessoal que se recebe duma vez para sempre, nem mesmo um superpoder que serviria para resolver os problemas da vida. Com efeito, uma fé útil para satisfazer as nossas necessidades seria uma fé egoísta, completamente centrada em nós. A fé não deve ser confundida com estar bem ou sentir-se bem, com sentir-se consolado no íntimo, porque temos um pouco de paz no coração. A fé é o fio de ouro que nos liga ao Senhor, a pura alegria de estar com Ele, de estar unido a Ele; é o dom que vale a vida inteira, mas que só dá fruto, se fizermos a nossa parte.
E qual é a nossa parte? Jesus faz-nos compreender que é o serviço. De facto no Evangelho, logo depois das palavras sobre a força da fé, o Senhor fala do serviço. Fé e serviço não se podem separar; antes, pelo contrário, estão intimamente ligados, atados entre si. Para explicar isto, gostaria de usar uma imagem que vos é muito familiar: a de um lindo tapete. Os vossos tapetes são verdadeiras obras de arte e provêm duma tradição muito antiga. Também a vida cristã de cada um vem de longe, é um dom que recebemos na Igreja e que provém do coração de Deus, nosso Pai, que deseja fazer de cada um de nós uma obra-prima da criação e da história. Cada tapete, como bem sabeis, deve ser tecido segundo a teia e a tecedura; só com esta estrutura é que o conjunto resulta bem composto e harmonioso. O mesmo se passa com a vida cristã: tem de ser pacientemente tecida cada dia, entrelaçando entre si uma teia e uma tecedura bem definida: a teia da fé e a tecedura do serviço. Quando se enlaça a fé com o serviço, o coração permanece aberto e jovem, e dilata-se ao fazer o bem. Então a fé, como diz Jesus no Evangelho, torna-se poderosa e faz maravilhas. Se caminha por tal estrada, então amadurece e torna-se forte, desde que permaneça sempre unida ao serviço.
Mas que é o serviço? Poderíamos pensar que consistisse apenas em ser fiéis aos próprios deveres ou na prática de qualquer obra boa. Mas, para Jesus, é muito mais. No Evangelho de hoje, pede-nos, mesmo com palavras muito fortes e radicais, uma disponibilidade total, uma vida totalmente disponível, sem olhar a cálculos nem conveniências. Porque é tão exigente? Porque Ele nos amou assim, fazendo-Se nosso servo «até ao extremo» (Jo 13, 1), tendo vindo «para servir e dar a sua vida» (Mc 10, 45). E isto acontece ainda agora todas as vezes que celebramos a Eucaristia: o Senhor vem estar no meio de nós e, por mais que nos proponhamos de O servir e amar, é sempre Ele que nos precede, servindo-nos e amando-nos imensamente mais de quanto possamos imaginar e merecer. Dá-nos a sua própria vida; e convida-nos a imitá-Lo, dizendo: «Se alguém Me serve, que Me siga» (Jo 12, 26).
Portanto, não somos chamados a servir apenas para ter uma recompensa, mas para imitar Deus, que Se fez servo por nosso amor. Nem somos chamados a servir de vez em quando, mas a viver servindo. Então o serviço é um estilo de vida; mais ainda, resume em si todo o estilo cristão de vida: servir a Deus na adoração e na oração; estar abertos e disponíveis; amar concretamente o próximo; trabalhar com ardor pelo bem comum.
E não faltam, aos crentes, também as tentações, que afastam do estilo de serviço e acabam por tornar a vida inútil. Também aqui podemos pôr em evidência duas delas. Uma é deixar o coração entibiar-se. Um coração tíbio fecha-se numa vida preguiçosa e sufoca o fogo do amor. Quem é tíbio vive para satisfazer as suas próprias comodidades, que não bastam jamais e, por isso, nunca está contente; pouco a pouco acaba por se contentar com uma vida medíocre. O tíbio reserva, para Deus e os outros, uma determinada «percentagem» do seu tempo e do seu coração, sem nunca exagerar, antes procurando poupar. Assim a sua vida perde o sabor: torna-se como um chá que era verdadeiramente bom, mas, quando fica frio, não se pode beber. Estou certo, porém, de que vós, fixando os exemplos daqueles que vos precederam na fé, não deixareis entibiar o coração. A Igreja inteira, que por vós nutre uma simpatia especial, tem os olhos postos em vós e vos encoraja: sois um rebanho pequeno mas muito precioso aos olhos de Deus.
Mas há uma segunda tentação, na qual se pode cair, não por ser passivo, mas porque se é «demasiado ativo»: a tentação de pensar como donos, trabalhar apenas para ganhar crédito e tornar-se alguém. Então o serviço torna-se um meio e não um fim, porque o fim passou a ser o prestígio; depois, vem o poder, o desejo de ser grande. Mas Jesus lembra a todos nós: «Não seja assim entre vós. Pelo contrário, quem entre vós quiser fazer-se grande, seja o vosso servo» (Mt 20, 26). É assim que se edifica e embeleza a Igreja. Retomo a imagem do tapete, aplicando-a à vossa bela comunidade: cada um de vós é como um esplêndido fio de seda, mas os vários fios só criam uma composição bonita se estiverem bem entrelaçados uns com os outros; sozinhos, não servem. Permanecei sempre unidos, vivendo humildemente em caridade e alegria; o Senhor, que cria a harmonia nas diferenças, vos guardará.
Assim nos ajude a intercessão da Virgem Imaculada e dos Santos, especialmente de Santa Teresa de Calcutá, cujos frutos de fé e serviço estão presentes no meio de vós. Acolhamos uma das suas palavras estupendas que resume a mensagem de hoje: «O fruto da fé é o amor. O fruto do amor é o serviço. O fruto do serviço é a paz» (O caminho simples, Introdução).”
Fonte: http://pt.radiovaticana.va/news/2016/10/02/missa_em_baku,_azerbaij%C3%A3o_homilia_do_papa_(texto_integral)/1262268 

domingo, 4 de setembro de 2016

CANONIZAÇÃO DE MADRE TERESA DE CALCUTÁ

Cidade do Vaticano (RV) – Realizou-se, na manhã desta sexta-feira (02/9), na Sala de Imprensa da Santa Sé, uma coletiva sobre a “Canonização de Madre Teresa de Calcutá”, que o Papa vai presidir no próximo domingo (04/9) na Praça São Pedro.
Tomaram parte a Irmã Mary Prema Pierick, Superiora Geral das Missionárias da Caridade; Padre Brian Kolodiejchuk, Superior Geral dos Padre Missionários da Caridade e Postulador da Causa de Canonização de Madre Teresa; o brasileiro Marcílio Haddad Andrino, miraculado por intercessão de Madre Teresa, e o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Greg Burke.
Greg Burke disse aos jornalistas que “é impossível prever a afluência de pessoas na Canonização de Madre Teresa no próximo domingo, embora tenham sido distribuídos 100 mil convites para a Celebração.
A seguir, tomou a palavra a Superiora das Missionárias da Caridade, Irmã Mary Prema, que conheceu a Madre em 1980. Ela disse que a sua Fundadora é um presente para todos nós, pois viveu toda a sua existência com alegria, dedicando-se totalmente ao Senhor e ao próximo. Ela exemplo e inspiração para as coirmãs, sempre pronta a encorajá-las com o sorriso nos lábios:
“Seu sorriso foi o maior presente que ela deu para Jesus e para todos nós; ao ver aquele sorriso, as pessoas tristes compreendiam que a sua alegria e esperança brotavam de um coração que amava o Senhor. Hoje, as Missionárias da Caridade são chamadas a levar seu sorriso até às periferias do mundo, porque “todos foram criados por amor e para amar”.
Entre os que ainda intervieram na coletiva de imprensa destacamos o brasileiro, da cidade de Santos (SP), Marcílio Haddad Andrino, acompanhado de sua esposa Fernanda, o miraculado por intercessão de Madre Teresa de Calcutá.
Ele contou aos presentes sobre a terrível infecção cerebral que o acometeu, levando os médicos a não dar-lhe nenhuma esperança, inclusive de nem poder mais gerar filhos. Assim, sua esposa Fernanda começou a rezar a Deus, por intercessão de Madre Teresa, em uma capelinha, até conseguir a cura total de seu esposo.
Mas, vamos ouvir o depoimento do próprio miraculado, Marcílio Haddad, em uma entrevista exclusiva que concedeu ao nosso colega Silvonei José. (MT)
Fonte: http://br.radiovaticana.va/news/2016/09/02/coletiva_canoniza%C3%A7%C3%A3o_de_madre_teresa_brasileiro_miraculado/1255423 

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

MORAL CRISTÃ E SEUS FUNDAMENTOS: EDUCAR EM TEMPO DE MUDANÇAS. 15° LIVRO DE MINHA AUTORIA

Moral cristã e seus fundamentos: Educar em tempo de mudanças é o título da mais nova publicação de minha autoria, publicada pela Editora Vozes. Este livro está sendo lançado em diversos eventos, entre os quais no 40° Congresso Brasileiro de Teologia Moral, nos dias 29 de agosto a 1 de setembro de 2016, em São Paulo.
Nesta obra, busco identificar a riqueza que brota de nossas raízes cristãs e busca partilhá-la com todos que, em meio a este tempo de mudanças, procuram respostas para fazer face aos desafios atuais. Trata-se de uma busca comum, num diálogo permanente, a partir de nossa identidade, a fim de colaborar com a humanidade na tarefa educativa. Cabe-nos ter coragem e esperança, atraídos pela proposta de Jesus Cristo, no itinerário percorrido pela Igreja Católica, sobretudo após o Concílio Vaticano II.

Sabemos que o atual contexto histórico-social passa por grandes transformações. Enquanto pessoas de fé, nossa missão de cristãos é a de acompanhar atentamente as mudanças em curso e buscar respostas à altura dos desafios de nosso tempo. Isto requer uma educação que forme sujeitos éticos, capazes de identificar os engajamentos morais, tendo a coragem de assumi-los na vida, quer pessoal, quer social.

“Desde o tempo do Concílio, o contexto histórico-social mudou muito no plano da visão do mundo, mas também em termos de conceitos ético-políticos. A década de 1960 foi um período de espera confiante, graças à convocação do Concílio, mas graças também a uma maior distensão na relação entre os Estados. O cenário mudou profundamente em relação ao passado. Evidenciou-se um forte impulso à secularização. O processo de globalização cada vez mais acentuado, ao invés de favorecer a promoção do desenvolvimento das pessoas e uma maior integração entre os povos, parece limitar a liberdade dos indivíduos e afunilar os contrastes entre os vários modos de conceber a vida pessoal e coletiva (com posições oscilantes entre o mais rígido fundamentalismo e o mais céptico relativismo)”[1].

            Diante destes e tantos outros desafios, podemos reagir de diferentes formas. Uma é aquela reação, descrita pelo Papa Francisco, de nos “entrincheirarmos em nosso pequeno mundo”[2], numa posição de defesa, quando não é de combate, fechados em nossas pequenas fortificações. Outra postura é aquela que assume a tarefa de “uma grande reflexão crítica e um empenho de relançar a identidade, em termos propositivos e novos”[3].

Inseridos nas realidades de nosso tempo, não negamos os valores da modernidade, nem os anseios da pós-modernidade; nós também participamos de suas conquistas científicas, democráticas e sociais, bem como de seus sonhos e desejo de realização. Porém, estamos conscientes de que estas conquistas se encontram num quadro ainda incompleto. Propomo-nos, como cristãos, oferecer de nossa riqueza para que as pessoas, as famílias, as comunidades e as sociedades possam se desenvolver mais integralmente, conscientes de que somos um dom de Deus à serviço da humanidade.

            Ao buscar a riqueza que brota de nossas raízes cristãs e católicas, aponto para o diálogo a ser travado na contemporaneidade, não bastando nos refugiar no passado; é necessário nos mobilizar a partir de nossa identidade, de nossa riqueza e colocarmo-nos em missão, a fim de colaborar com a humanidade, num empenho comum.

            Nós temos ainda muito a aprender. Longe de termos esgotado o que brota de nossas raízes cristãs, cabe-nos ter fôlego, coragem e esperança, para deixar-nos surpreender pela presença de Deus que, no Seu Espírito, nos chama “a elaborar novas respostas para os problemas novos do mundo atual”[4]. Sabemos que “o Espírito sabe dar as respostas apropriadas mesmo às questões mais difíceis”[5]. Tudo está atravessado pelo desígnio de Deus e banhado por seu Amor.

            Por outro lado, deixemos ressoar as palavras do Papa Francisco: “Este é o momento favorável para mudar de vida! Este é o tempo de se deixar tocar o coração”[6]. Coloquemo-nos todos num movimento de conversão atraídos pelo amor misericordioso de Deus. O amor não é uma palavra abstrata. Deve atravessar nossa vida concreta e informar nossas intenções, atitudes e comportamentos no dia-a-dia, devendo estar permeado pela misericórdia; é Deus Pai orientando o nosso agir. “A credibilidade da Igreja passa pela estrada do amor misericordioso e compassivo”[7].

            Isto é fundamentalmente um ato de educar, como itinerário pessoal e comunitário a ser percorrido durante toda a nossa vida. A educação tem um lugar central em nossos dias à medida que assume o compromisso de “encontrar alternativas históricas capazes de assegurar a emancipação de todos, tornando-os sujeitos da história”[8], capazes de uma autorreflexão crítica e de uma “autonomia para organizar os modos de existência e a responsabilidade pela direção de suas ações”.[9] “Essa característica do ser humano constitui o fundamento da formação do sujeito ético. Este deve ser o objetivo fundamental da Educação”[10].

            A moral cristã participa deste itinerário educativo, levando ao “discernimento da vontade de Deus em vista da ação concreta”[11]. O desenvolvimento ético e moral das pessoas encontra na fonte cristã da moral uma fundamentação que auxilia na formação humana integral e capacita para o discernimento, enraizado no seguimento de Jesus Cristo. “Seguir Jesus Cristo é o fundamento essencial e original da moral cristã”[12]. “A fé possui... um conteúdo moral: dá origem e exige um compromisso coerente de vida... Através da vida moral, a fé torna-se ‘confissão’ não só perante Deus, mas também diante dos homens: faz-se testemunho”[13].

Frei Nilo Agostini, ofm



[1] CONGREGAÇÃO PARA A EDUCAÇÃO CATÓLICA. Educar hoje e amanhã: Uma paixão que se renova (Instrumentum laboris). Vaticano, 2014, p. 5.
[2] PAPA FRANCISCO. Apud SCUOLA DI ALTA FORMAZIONE EDUCARE ALL’INCONTRO E ALLA SOLIDARIETÀ (EIS – LUMSA). Educare oggi e domani: Una passione che si rinova. Sfide, strategie e prospettive dalle risposte al questionario dell’Instrumentum laboris. Roma: Congregazione per l’Educazione Cattolica, 2014, p. 7.
[3] Ibidem, p. 7.
[4] JOÃO PAULO II. Exortação apostólica Vita Consecrata. Petrópolis: Vozes, 1996, n. 73.
[5] Ibidem.
[6] PAPA FRANCISCO. O rosto da misericórdia. Bula de Proclamação do Jubileu extraordinário da misericórdia. São Paulo: Paulinas, 2015, n. 19.
[7] Ibidem, n. 10.
[8] SEVERINO, A. J. A busca de sentido da formação humana: tarefa da filosofia da Educação.  Educação e Pesquisa, 3 (2006), p. 632.
[9] RODRIGUES, N. Educação: Da formação humana à construção do sujeito ético. Educação & Sociedade, 22 (2001) p. 232.
[10] Ibidem.
[11] Cf. GIBELLINI, R. A teologia do século XX. São Paulo: Loyola,1998, p. 111. Rosino Gibellini segue, na citação destacada, o pensamento de Dietrich Bonhoeffer.
[12] JOÃO PAULO II. Carta encíclica Veritatis Splendor. Petrópolis: Vozes, 1993, n. 19.
[13] Ibidem, n. 89.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

EDUCAR PARA A TOLERÂNCIA

Texto de minha autoria na Revista Horizontes da Universidade São Francisco (USF), v. 34, n. 1 (2016).


Título:

Educar para a tolerância na experiência da alteridade: a anterioridade do Outro que me interpela.

Nilo Agostini 




Acesse o link:


https://revistahorizontes.usf.edu.br/horizontes/article/view/343/124 

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO NA MISSA CONCLUSIVA DA JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE EM CRACÓVIA – texto integral

Queridos jovens, viestes a Cracóvia para encontrar Jesus. E o Evangelho de hoje fala-nos precisamente do encontro entre Jesus e um homem, Zaqueu, em Jericó (cf. Lc 19, 1-10). Aqui, Jesus não Se limita a pregar ou a saudar alguém, mas quer – diz o Evangelista – atravessar a cidade (cf. v. 1). Por outras palavras, Jesus deseja aproximar-Se da vida de cada um, percorrer o nosso caminho até ao fim, para que a sua vida e a nossa se encontrem verdadeiramente.
E assim acontece o encontro mais surpreendente, o encontro com Zaqueu, o chefe dos «publicanos», isto é, dos cobradores de impostos. Zaqueu era, pois, um rico colaborador dos odiados ocupantes romanos; era um explorador do seu povo, alguém que, pela sua má reputação, não podia sequer aproximar-se do Mestre. Mas o encontro com Jesus muda a sua vida, como sucedeu ou pode sucede cada dia com cada um de nós. Entretanto Zaqueu teve de enfrentar alguns obstáculos para encontrar Jesus: pelo menos três, que podem dizer algo também a nós.
O primeiro é a baixa estatura: Zaqueu não conseguia ver o Mestre, porque era pequeno. Também hoje podemos correr o risco de ficar à distância de Jesus, porque não nos sentimos à altura, porque temos uma baixa opinião de nós mesmos. Esta é uma grande tentação, que não tem a ver apenas com a autoestima, mas toca também a fé. Porque a fé diz-nos que somos «filhos de Deus; e, realmente, o somos» (1 Jo 3, 1): fomos criados à sua imagem; Jesus assumiu a nossa humanidade, e o seu coração não se afastará jamais de nós; o Espírito Santo deseja habitar em nós; somos chamados à alegria eterna com Deus. Esta é a nossa «estatura», esta é a nossa identidade espiritual: somos os filhos amados de Deus, sempre. Compreendeis então que não aceitar-se, viver descontentes e pensar de modo negativo significa não reconhecer a nossa identidade mais verdadeira? É como voltar-se para o outro lado enquanto Deus quer pousar o seu olhar sobre mim, é querer apagar o sonho que Ele tem para mim. Deus ama-nos assim como somos, e nenhum pecado, defeito ou erro Lhe fará mudar de ideia. Para Jesus – assim no-lo mostra o Evangelho –, ninguém é inferior e distante, ninguém é insignificante, mas todos somos prediletos e importantes: tu és importante! E Deus conta contigo por aquilo que és, não pelo que tens: a seus olhos, não vale mesmo nada a roupa que vestes ou o telemóvel que usas; não Lhe importa se andas na moda ou não, importas-Lhe tu. A seus olhos, tu vales; e o teu valor é inestimável.
Quando acontece na vida diminuirmo-nos em vez de nos enobrecermos, pode ajudar-nos esta grande verdade: Deus é fiel em amar-nos, até mesmo obstinado. Ajudar-nos-á pensar que Ele nos ama mais do que nos amamos nós mesmos, que crê em nós mais de quanto acreditamos nós mesmos, que sempre nos apoia como o mais irredutível dos nossos fãs. Sempre nos aguarda com esperança, mesmo quando nos fechamos nas nossas tristezas e dores, remoendo continuamente as injustiças recebidas e o passado. Mas, afeiçoar-nos à tristeza, não é digno da nossa estatura espiritual. Antes pelo contrário; é um vírus que infecta e bloqueia tudo, que fecha todas as portas, que impede de reiniciar a vida, de recomeçar. Deus, por seu lado, é obstinadamente esperançoso: sempre acredita que podemos levantar-nos e não Se resigna a ver-nos apagados e sem alegria. Porque somos sempre os seus filhos amados. Lembremo-nos disto, no início de cada dia. Far-nos-á bem dizê-lo na oração, todas as manhãs: «Senhor, agradeço-Vos porque me amais; fazei-me enamorar da minha vida». Não dos meus defeitos, que hão de ser corrigidos, mas da vida, que é um grande dom: é o tempo para amar e ser amado.
Zaqueu tinha um segundo obstáculo no caminho do encontro com Jesus: a vergonha paralisadora. Podemos imaginar o que se passou no coração de Zaqueu antes de subir àquele sicómoro: terá havido uma grande luta; por um lado, uma curiosidade boa, a de conhecer Jesus; por outro, o risco de fazer triste figura. Zaqueu era uma figura pública; sabia que, tentando subir à árvore, se faria ridículo aos olhos de todos: ele, um líder, um homem de poder. Mas superou a vergonha, porque a atração de Jesus era mais forte. Tereis já experimentado o que acontece quando uma pessoa se nos torna tão fascinante que nos enamoramos: então pode suceder fazermos voluntariamente coisas que de outro modo nunca teríamos feito. Algo semelhante aconteceu no coração de Zaqueu, quando sentiu que Jesus era tão importante que, por Ele, estava pronto a tudo, porque Ele era o único que poderia retirá-lo das areias movediças do pecado e da infelicidade. E assim a vergonha que paralisa não levou a melhor: Zaqueu – diz o Evangelho – «correndo à frente, subiu» e depois, quando Jesus o chamou, «desceu imediatamente» (vv 4.6). Arriscou e colocou-se em jogo. Aqui está também para nós o segredo da alegria: não apagar a boa curiosidade, mas colocar-se em jogo, porque a vida não se deve fechar numa gaveta. Perante Jesus, não se pode ficar sentado à espera de braços cruzados; a Ele que nos dá a vida, não se pode responder com um pensamento ou com uma simples «mensagem».
Queridos jovens, não vos envergonheis de Lhe levar tudo, especialmente as fraquezas, as fadigas e os pecados na Confissão: Ele saberá surpreender-vos com o seu perdão e a sua paz. Não tenhais medo de Lhe dizer «sim» com todo o entusiasmo do coração, de Lhe responder generosamente, de O seguir. Não vos deixeis anestesiar a alma, mas apostai no amor formoso, que requer também a renúncia, e um «não» forte ao doping do sucesso a todo o custo e à droga de pensar só em si mesmo e nas próprias comodidades.
Depois da baixa estatura e da vergonha incapacitante, houve um terceiro obstáculo que Zaqueu teve de enfrentar, não dentro de si mesmo, mas ao seu redor. É a multidão murmuradora, que primeiro o bloqueou e depois criticou-o: Jesus não devia entrar na casa dele, na casa dum pecador. Como é difícil acolher verdadeiramente Jesus! Como é árduo aceitar um «Deus, rico em misericórdia» (Ef 2, 4)! Poderão obstaculizar-vos, procurando fazer-vos crer que Deus é distante, rígido e pouco sensível, bom com os bons e mau com os maus. Ao contrário, o nosso Pai «faz com que o Sol se levante sobre os bons e os maus» (Mt 5, 45) e convida-nos a uma verdadeira coragem: ser mais fortes do que o mal amando a todos, incluindo os inimigos. Poderão rir-se de vós, porque acreditais na força mansa e humilde da misericórdia. Não tenhais medo, mas pensai nas palavras destes dias: «Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia» (Mt 5, 7). Poderão considerar-vos sonhadores, porque acreditais numa humanidade nova, que não aceita o ódio entre os povos, não vê as fronteiras dos países como barreiras e guarda as suas próprias tradições, sem egoísmos nem ressentimentos. Não desanimeis! Com o vosso sorriso e os vossos braços abertos, pregais esperança e sois uma bênção para a única família humana, que aqui tão bem representais.
Naquele dia, a multidão julgou Zaqueu, mediu-o de cima a baixo; mas Jesus fez o contrário: levantou o olhar para ele (v. 5). O olhar de Jesus ultrapassa os defeitos e vê a pessoa; não se detém no mal do passado, mas entrevê o bem no futuro; não se resigna perante os fechamentos, mas procura o caminho da unidade e da comunhão; único no meio de todos, não se detém nas aparências, mas vê o coração. Com este olhar de Jesus, vós podeis fazer crescer outra humanidade, sem esperar louvores, mas buscando o bem por si mesmo, felizes por conservar o coração limpo e lutar pacificamente pela honestidade e a justiça. Não vos detenhais à superfície das coisas e desconfiai das liturgias mundanas do aparecer, da maquilhagem da alma para parecer melhor. Em vez disso, instalai bem a conexão mais estável: a de um coração que vê e transmite o bem sem se cansar. E aquela alegria que gratuitamente recebestes de Deus, gratuitamente dai-a (cf. Mt 10, 8), porque muitos esperam por ela.
Ouçamos, por fim, as palavras de Jesus a Zaqueu, que parecem ditas de propósito para nós hoje: «Desce depressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa» (v. 5). Jesus dirige-te o mesmo convite: «Hoje tenho de ficar em tua casa». A JMJ – poderíamos dizer – começa hoje e continua amanhã, em casa, porque é lá que Jesus te quer encontrar a partir de agora. O Senhor não quer ficar apenas nesta bela cidade ou em belas recordações, mas deseja ir a tua casa, habitar a tua vida de cada dia: o estudo e os primeiros anos de trabalho, as amizades e os afetos, os projetos e os sonhos. Como Lhe agrada que tudo isto seja levado a Ele na oração! Como espera que, entre todos os contactos e os chat de cada dia, esteja em primeiro lugar o fio de ouro da oração! Como deseja que a sua Palavra fale a cada uma das tuas jornadas, que o seu Evangelho se torne teu e seja o teu «navegador» nas estradas da vida!
Ao pedir para ir a tua casa, Jesus – como fez com Zaqueu – chama-te por nome. O teu nome é precioso para Ele. O nome de Zaqueu evocava, na linguagem da época, a recordação de Deus. Fiai-vos na recordação de Deus: a sua memória não é um «disco rígido» que grava e armazena todos os nossos dados, mas um coração terno e rico de compaixão, que se alegra em eliminar definitivamente todos os nossos vestígios de mal. Tentemos, também nós agora, imitar a memória fiel de Deus e guardar o bem que recebemos nestes dias. Em silêncio, façamos memória deste encontro, guardemos a recordação da presença de Deus e da sua Palavra, reavivemos em nós a voz de Jesus que nos chama por nome. Assim rezemos em silêncio, fazendo memória, agradecendo ao Senhor que aqui nos quis e encontrou.
Fonte: http://pt.radiovaticana.va/news/2016/07/31/homilia_do_papa_na_missa_conclusiva_das_jmj_%E2%80%93_texto_integral/1248269 

sábado, 30 de julho de 2016

PAPA AOS JOVENS EM CRACÓVIA: a misericórdia tem sempre o rosto jovem!

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Com estas palavras, o Papa Francisco encerrou, na tarde desta quinta-feira, dia 28 de Julho de 2016, às 18,45 horas da Polónia, na Esplanada de Blonia da cidade de Cracóvia e após as palavras de boas vindas do Cardeal Arcebispo Metropolita de Cracóvia, Stanislaw Dziwisz,  a cerimónia do acolhimento oficial do Papa aos jovens da trigésima primeira Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

No seu discurso, Francisco iniciou por agradecer antes de mais, ao Cardeal Dziwisz, aos bispos, aos sacerdotes, aos religiosos, aos seminaristas e a todos aqueles que acompanharam os jovens neste apontamento mundial do dar e do receber espiritual. “Obrigado, disse Francisco, a quantos tornaram possível a nossa presença aqui, hoje, aos que «desceram em campo» para que pudéssemos celebrar a fé.

Em seguida, como de esperar, não podia faltar por parte do Santo Padre, uma menção especial àquele que foi o Pai fundador destas Jornadas Mundiais da Juventude, o Santo Papa João Paulo II: “Nesta sua terra natal, disse Francisco, quero agradecer especialmente a São João Paulo II, que sonhou e deu impulso a estes encontros. Do céu, ele nos acompanha vendo tantos jovens pertencentes a povos, culturas, línguas tão diferentes animados por um único motivo: celebrar Jesus que está vivo no meio de nós”. E dizer que está vivo, sublinhou ainda o Santo Padre, é querer renovar o nosso desejo de O seguir, o nosso desejo de viver com paixão o seu seguimento. Daí a questão fundamental lançada por Francisco aos milhares de jovens presentes este ano neste evento mundial da fé em Jesus Cristo Libertador em Cracóvia: qual ocasião melhor, questionou, para renovar a amizade com Jesus do que ao reforçar a amizade entre vós? Qual modo melhor para reforçar a nossa amizade com Jesus do que partilhá-la com os outros? Qual maneira melhor para viver a alegria do Evangelho do que querer «contagiar», com a sua Boa Nova, a tantas situações dolorosas e difíceis?

O Papa teve ainda umas palavrinhas para todos aqueles jovens que por diversas razões, não puderam estar presentes fisicamente nesta festa da fé juvenil. A partir desta terra, disse, convosco e unidos também a muitos jovens que, vendo-se impossibilitados de estar aqui hoje, nos acompanham através dos vários meios de comunicação, todos juntos faremos desta Jornada uma verdadeira Festa Jubilar.

 Francisco entra por conseguinte, no seu discurso, no vivo do tema desta trigésima Jornada Mundial da JMJ, recordando antes de mais, aos presentes, que Jesus, disse, é Aquele que nos convocou para esta trigésima primeira Jornada Mundial da Juventude; é Ele que nos diz: «Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia» (Mt 5, 7). Por conseguinte, esta JMJ, é uma celebração da misericórdia de Deus em terras da Polónia que assim nestes dias, quer ser para todos e todas, o habitat, o rosto, disse o Papa, sempre jovem da Misericórdia. Felizes então, são aqueles também que sabem perdoar, que sabem ter um coração compassivo, que sabem dar o melhor de si mesmos aos outros. Enfim, felizes os misericordiosos.

 Nos meus anos de bispo, revelou o Santo Padre aos presentes, aprendi uma coisa: não há nada mais belo do que contemplar os anseios, o empenho, a paixão e a energia com que muitos jovens abraçam a vida. Neste sentido, acrescentou, quando Jesus toca o coração dum jovem, duma jovem, estes são capazes de ações verdadeiramente grandiosas. E é então estimulante ouvi-los partilhar os seus sonhos, as suas questões e o seu desejo de opor-se a quantos dizem que as coisas não podem mudar. E Francisco recordou aos jovens que essa capacidade e atitude de questionar sempre por forma a fazer com que as coisas sejam diferentes, que haja finalmente uma mudança, é um dom do céu. Por isso, é bonito, acrescentou, e conforta-me o coração ver-vos assim exuberantes e advertiu que hoje a Igreja olha para os jovens e quer aprender deles para renovar a sua confiança na Misericórdia do Pai que tem o rosto sempre jovem e não cessa de nos convidar para fazer parte do seu Reino.

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 Francisco quis também confessar aos jovens presentes nesta cerimónia da abertura oficial da JMJ,  « outra coisa, disse, que aprendi nestes anos. Entristece-me encontrar jovens que parecem «aposentados» antes do tempo. Preocupa-me ver jovens que desistiram antes do jogo; que «se renderam» sem ter começado a jogar; que caminham com a cara triste, como se a sua vida não tivesse valor. São jovens essencialmente chateados... e chatos. É duro, e ao mesmo tempo interpela-nos, ver jovens que deixam a vida à procura da «vertigem», ou daquela sensação de se sentir vivos por vias obscuras que depois acabam por «pagar»... e pagar caro. Dá que pensar quando vês jovens que perdem os anos belos da sua vida e as suas energias correndo atrás de vendedores de falsas ilusões (na minha terra natal, diríamos «vendedores de fumaça») que vos roubam o melhor de vós mesmos.

Por isso, recordou o Santo Padre aos jovens, estamos aqui reunidos para nos ajudarmos uns aos outros, porque não queremos deixar que nos roubem o melhor de nós mesmos, não queremos permitir que nos roubem as energias, a alegria, os sonhos com falsas ilusões.

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De fato, concluiu dizendo Francisco, quem acolhe Jesus, aprende a amar como Jesus e alcança uma vida plena deixando-se mover pela compaixão, pois que, a verdadeira felicidade humana germina e desabrocha na misericórdia que tem sempre um rosto jovem. Daí que hoje, todos juntos reunidos nesta esplanada de Blonia desta cidade de Cracóvia, peçamos ao Senhor, acrescentou o Papa, para que nos lance na aventura da misericórdia!

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Fonte: http://pt.radiovaticana.va/news/2016/07/28/papa_aos_jovens_a_miseric%C3%B3rdia_tem_sempre_o_rosto_jovem/1247569

quarta-feira, 20 de julho de 2016

PAPA ENVIA MENSAGEM AOS JOVENS PARTICIPANTES DA JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE (JMJ) DE CRACÓVIA

Cidade do Vaticano – Foi divulgada nesta terça-feira (19/07), a vídeo-mensagem do Papa Francisco para a viagem apostólica à Polônia, em vista da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que se realizará em Cracóvia de 26 a 31 deste mês.
Ano Jubilar
“Já está próxima a trigésima primeira Jornada Mundial da Juventude, que me chama a encontrar os jovens de todo o mundo, reunidos em Cracóvia, proporcionando-me também a feliz ocasião de encontrar a amada nação polonesa. Tudo será vivido sob o signo da Misericórdia, neste Ano Jubilar, e com grata e devota memória de São João Paulo II, que foi o artífice das Jornadas Mundiais da Juventude e guia do povo polonês no seu caminho histórico recente rumo à liberdade”, disse o pontífice.
O Papa agradeceu aos jovens poloneses que há muito tempo estão se preparando, sobretudo com a oração, para o grande evento de Cracóvia. “Agradeço-lhes de coração por tudo aquilo que estão fazendo e pelo amor com o qual fazem. Desde já os abraço e os abençoo”, frisou ainda Francisco.
Rosto da Misericórdia
“Queridos jovens de várias partes da Europa, África, América, Ásia e Oceania! Abençoo também os seus países, seus anseios e seus passos rumo a Cracóvia, para que seja uma peregrinação de fé e fraternidade. Que o Senhor Jesus lhes dê a graça de experimentar em si mesmos esta sua palavra: «Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia».”
“Sinto um grande desejo de os encontrar para oferecer ao mundo um novo sinal de harmonia, um mosaico de rostos diferentes, de tantas raças, línguas, povos e culturas, mas todos unidos no nome de Jesus, que é o Rosto da Misericórdia.”
Amoris Laetitia
“E agora uma palavra a vocês, queridos filhos e filhas da nação polonesa! Sinto que é um grande dom do Senhor ir até vocês, porque são um povo que na sua história passou por muitas provações, algumas muito duras, mas avançou com a força da fé, sustentado pela mão materna da Virgem Maria. Estou certo de que a peregrinação ao Santuário de Czestochowa será para mim uma imersão nesta fé provada, que me fará muito bem.
Agradeço-lhes as orações com as quais estão preparando a minha visita. Agradeço aos Bispos e sacerdotes, aos religiosos e religiosas, aos fiéis leigos, especialmente às famílias, a quem idealmente entrego a Exortação Apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia. A «saúde» moral e espiritual duma nação vê-se pelas suas famílias: por isso, São João Paulo II tinha tanto no coração os noivos, os casais jovens e as famílias. Continuem por esta estrada!”
“Queridos irmãos e irmãs, envio-lhes esta mensagem como penhor do meu afeto. Permaneçamos unidos na oração. Nos vemos na Polônia!
Fonte: http://www.franciscanos.org.br/?p=112732