quarta-feira, 6 de março de 2019

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2019: O que são e quais os tipos de Políticas Públicas existem

“Refletir sobre Políticas Públicas é importante para entender a maneira pela qual elas atingem a vida cotidiana, o que pode ser feito para melhor formatá-las e quais as possibilidades de se aprimorar sua fiscalização”, este é um dos itens do capítulo “ver” do texto base da Campanha da Fraternidade (CF) 2019, que traz como temática: Fraternidade e Políticas Públicas inspirada pelo versículo bíblico: “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1, 27).
Segundo o documento, as políticas públicas são ações e programas que são desenvolvidos pelo Estado para garantir e colocar em prática direitos que são previstos na Constituição Federal e em outras leis. O item 20 do documento destaca que Políticas Públicas representam soluções específicas para necessidades e problemas da sociedade. “Ela é a ação Estado, que busca garantir a segurança e a ordem, por meio da garantia dos direitos”, diz o texto.
Essa participação direta da sociedade na elaboração e implementação de Políticas Públicas está garantida na Constituição Federal de 1988 que prevê a participação popular em conselhos deliberativos que estão divididos em quatro áreas: criança e adolescente; saúde; assistência social e educação.
Todos esses conselhos funcionam a nível sejam eles municipal, estadual e federal. O objetivo desta campanha é “estimular a participação em políticas públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais da fraternidade”.
A Pastoral da Saúde da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é um exemplo disso. Possui conselheiros titulares e suplentes. Além de representantes em comissões científicas.
“O agente de pastoral tem uma atuação fundamental levando as necessidades de vários seguimentos da sociedade civil e comunidade, propiciando um acompanhamento da gestão pública e privada. É a presença da Igreja no seguimento de participação popular”, destaca o coordenador nacional da Pastoral, Alex Motta.
Segundo Motta, no último pleito, a Pastoral da Saúde Nacional como entidade religiosa ocupava a titularidade e membro titular em algumas comissões Intersetorial: Vigilância em Saúde, Saúde Mental, Educação Permanente, Práticas Integrativas, Assistência Farmacêutica.
Essa articulação na prática envolve muito o trabalho de quem atua nas comunidades. Em Curitiba, a Arquidiocese promoveu no último dia 9 de fevereiro, um encontro de Formação de Políticas Públicas em Saúde para agentes das pastorais de saúde, demais pastorais e conselheiros da saúde.
Segundo a Arquidiocese, além de proporcionar maior compreensão sobre políticas públicas na área da Saúde, a formação é também uma oportunidade de preparação dos agentes de pastorais e conselheiros de saúde para as Pré-Conferências que serão realizadas até as vésperas da Conferência Nacional de Saúde, que será realizada de 4 a 7 de agosto.
Alex Motta destaca dois momentos importantes da atuação da pastoral da Saúde na elaboração de Políticas Públicas: a Conferência Nacional das Mulheres e a 1° Conferência Nacional de Vigilância em Saúde.
“As das Mulheres veio como um novo olhar, trazendo uma atuação mais participativa em vários seguimentos da sociedade civil ocupando espaços muito importante. Principalmente no que se referem a Violência. Já a da Vigilância em Saúde, nos trouxe mais forças para atuar com mais eficiência no campo sanitário e principalmente o que se diz a respeito ao agrotóxico. E recentemente no que se refere às barragens que trouxe grande impacto epidemiológico e ambiental.  Assim, acreditamos que os órgãos competentes estejam em sintonia para fazer acontecer”.
E quando se fala Políticas Públicas são vários segmentos: Além das sociais que são as que mais ganham destaque, tem as áreas da educação, habitação, previdência social, as macroeconômicas, que englobam assuntos fiscais, monetários, cambiais, industriais e comerciais e a administrativa que envolve ações de democracia e participação social. Também existem os tipos de Políticas Públicas específicas ou setoriais como as do Meio Ambiente, Cultura, Agrárias, Direitos Humanos, Mulheres, negros, Jovens e outras tantas.
“Nesse sentido, importante a presença da Igreja católica, por meio do clero e dos leigos, na busca, na participação e na resolução dos problemas sociais e em todo processo de formulação das Políticas Públicas”, afirma o texto do item 27 do capítulo “ver”.
Fonte: http://www.cnbb.org.br/cf-2019-o-que-sao-politicas-publicas/ 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

DOM EVARISTO REBATE OFENSIVA DO GOVERNO AO SÍNODO DA AMAZÔNIA

O bispo da prelazia de Marajó, o franciscano Dom Evaristo Pascoal Spengler, protestou contra a espionagem do governo Bolsonaro à Igreja Católica. O governo está em ofensiva contra o Sínodo sobre a Amazônia, convocado pelo Papa Francisco. “Isso é um retrocesso que só vimos na ditadura militar”, protestou Dom Evaristo, em entrevista concedida a Bernardo Mello Franco, do Jornal O Globo.
O bispo de Marajó disse que não cabe ao governo monitorar os debates da Igreja e que o clero já suspeitara da presença de arapongas numa assembleia em Marabá. Dom Evaristo afirmou que esclarece que a Igreja “não é neutra”, o que não significa que tenha partido.
“A Igreja está do lado dos mais fracos, dos mais pobres, dos ribeirinhos e dos indígenas”. Na entrevista, o franciscano disse ainda que o governo Bolsonaro defende interesses econômicos contra os povos da Amazônia e a floresta: “Estão incentivando um modelo predatório de desenvolvimento, que extrai as riquezas da floresta e deixa a população na pobreza”. “Querem construir hidrelétricas, abrir rodovias e permitir o avanço do agronegócio e das mineradoras”, alertou Dom Evaristo.
O secretário-geral da CNBB, Dom Leonardo Ulrich Steiner, lembrou que o encontro convocado pelo Papa Francisco não envolve apenas o Brasil, mas nove países que integram a região da Pan-Amazônia. O documento preparatório da Igreja para o Sínodo define a Amazônia como “uma região com rica biodiversidade, é multiétnica, pluricultural e plurirreligiosa, um espelho de toda a humanidade que, em defesa da vida, exige mudanças estruturais e pessoais de todos os seres humanos, dos Estados e da Igreja”.
Fonte 2: https://noticias.franciscanos.org.br/dom-evaristo-rebate-ofensiva-do-governo-ao-sinodo-da-amazonia.html 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

O SÍNODO QUE INCOMODA

Fiquei surpreso ao saber que a Igreja Católica em Manaus está sob suspeita de estar preparando uma ofensiva contra o governo no Sínodo que vai acontecer em outubro. Ao que tudo indica, as reuniões preparatórias que aconteceram na nossa cidade foram monitoradas pelos órgãos de informação. A minha primeira reação foi de estranheza pois nada fizemos de secreto. Centenas de textos de trabalho foram distribuídas. O que levou a esta suspeita? Tudo indica que é o medo de críticas e de oposição. Além disto, atribuir a preparação do Sínodo a uma orientação política da Igreja Católica mostra que a Igreja é pouco compreendida. Faço parte da Comissão da Amazônia da CNBB que foi constituída para fazer com que a Igreja no Brasil se solidarizasse com a Igreja na Amazônia, ao mesmo tempo, sendo desta região no conjunto da Igreja. Sei quanto este Sínodo está sendo um sinal de esperança para o nosso povo, sobretudo aqueles que nunca são ouvidos. Vi e testemunhei o encontro de bispos com ribeirinhos e comunidades indígenas. Assisti a reuniões de jovens que puderam se expressar livremente sobre temas antes vistos como tabus em rodas de conversa e escutas que se multiplicaram por todo o território panamazônico.
A preocupação de todos é a evangelização e a maior demanda é que se pensa na Eucaristia que não pode ser celebrada por falta de ministros. São preocupações que vem de longe. A estas se juntam à preocupação com a Casa Comum, numa Ecologia Integral. E neste aspecto os povos originários tem muito a nos ensinar. Também os ribeirinhos adquiriram a arte de viver e conviver na floresta. Os melhores projetos de desenvolvimento sustentável são os que aliam conhecimento científico e sabedoria popular. O Sínodo da Amazônia já é um evento bem-sucedido porque já provocou um grande mutirão de participação nas reflexões nunca visto em Sínodos anteriores. É o Povo de Deus que caminha na história e que quer ser ouvido em questões que são vitais para a humanidade.
Questiona-se a competência da Igreja para tratar destes assuntos. Ela está presente na Amazônia desde o início da sua ocupação pelos europeus. Tem um conhecimento da realidade que vem da convivência dos seus ministros com o povo. Os bispos que participarão da Sínodo são pastores atentos à vida do rebanho e agem sem segundas intenções quando defendem seus direitos e denunciam a violação dos mesmos. Os missionários estiveram entre os primeiros a descrever a região e seus habitantes. A Igreja encara com seriedade a sua missão e sempre procurou o melhor para os seus fiéis. Não jogamos para a plateia e nem visamos o dinheiro fácil e abundante que sempre atraíram os olhares cobiçosos para esta região, fonte inesgotável de riquezas.
Nos meus quarenta anos de convivência com os povos da floresta, aprendi mais que ensinei. Aprendi a respeitar a natureza. Não se brinca com ela. As consequências da destruição do meio ambiente são trágicas. Não é só a religião que afirma isto, mas também a ciência. Falar disto não é um atentado contra a soberania nacional, mas é colocar nossa pátria na vanguarda da defesa da vida no planeta.
ARTIGO DE DOM SERGIO EDUARDO CASTRIANI – ARCEBISPO METROPOLITANO DE MANAUS
JORNAL: EM TEMPO
Data de Publicação: 17.2.2019

domingo, 17 de fevereiro de 2019

SÍNODO DA AMAZÔNIA - VERSÃO POPULAR DO DOCUMENTO PREPARATÓRIO

Documento Preparatório do Sínodo é o instrumento que orienta os processos de diálogo e consulta aos diferentes e diversos atores dos territórios amazônicos. Este processo de consulta será realizado nas Assembleias Territoriais, nos Fóruns Temáticos e nos espaços previstos para isso.
A informação é divulgada por Cáritas Ecuador, 10-07-2018.
REPAM coloca à disposição esse material: Documento Preparatório – Versão Popular, que contém o mesmo esquema do documento sinodal: VerDiscernir Atuar e o questionário com as perguntas para discussão.
Na parte final, encontramos o esquema para contribuir com a sistematização das respostas e irá facilitar com que as consultas, reuniões, encontros e outras atividades que sejam realizadas nos territórios, também sejam ser incorporadas ao documento de trabalho.
Para baixar o documento em sua versão popular, acesse: http://redamazonica.org/folleto-portugues/ 
Tudo deverá ser enviado para o seguinte e-mail:
sinodoamazonia@gmail.com
sinododelamazonia@redamazonica.org

Para mais informações:

Brasil: Ir. Irene Lopes
Secretaria Executiva da REPAM Brasil
sinodoamazonia@gmail.com

Equador: Mauricio López
Secretário Executivo REPAM
e ligação com grupos de expertos
mlopez@redamazonica.org

Equador: Romina Gallegos
Responsável de REPAMs Nacionais
rgallegos@caritasecuador.org

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

PAPA FRANCISCO CHEGA NOS EMIRADOS ÁRABES

Papa Francisco Abu Dhabi
Destaque:  "A viagem realiza-se no contexto das comemorações dos 8 séculos do histórico encontro entre São Francisco de Assis e o sultão do Egito Malik Al Kamil".

O Papa Francisco já está nos Emirados Árabes. O Boeing 777 da Alitália com o Pontífice a bordo aterrissou no Aeroporto Internacional de Abu Dhabi às 21h48min, horário local. É a primeira visita de um Pontífice à Península Arábica. Com o lema “Faça-me instrumento da tua paz”, a viagem realiza-se no contexto das comemorações dos 8 séculos do histórico encontro entre São Francisco de Assis e o sultão do Egito Malik Al Kamil.

Algumas novidades alteraram o protocolo que estamos acostumados a ver, por razões essencialmente climáticas, ligadas ao calor. Assim, Francisco chegou ao aeroporto sem saudar na pista as delegações, mas desembarcou diretamente pelo “finger”, sendo recebido e acompanhado pelo príncipe herdeiro, Sua Alteza Xeique Mohammed bin Zayed Al Nahyan. O Pontífice foi saudado com palavras afetuosas, recebendo flores de duas crianças em trajes tradicionais.
O Papa então passou em revista a Guarda de Honra e saudou as delegações no Salão do Protocolo. Ali, com um abraço caloroso, deu-se o quinto encontro com o “amigo e querido irmão”, o Grão Imame de Al-Azhar, Ahmed al-Tayyeb.
Será esta respeitável autoridade do islã sunita a acompanhar o Pontífice nos encontros que terá, como precisou o diretor interino da Sala de Imprensa da Santa Sé, Alessandro Gisotti.
E foi justamente com Grão Imame - que ao final da cerimônia de acolhida oficial, marcada por músicas tradicionais – o Papa transferiu-se a bordo de uma van, percorrendo 28 km até o Mushrif Palace, residência de honra à disposição de hóspedes ilustres, onde pernoitará enquanto estiver nos Emirados Árabes, visto não haver uma Nunciatura no país.
Amanhã, segunda-feira, os primeiros compromissos oficiais, com a cerimônia de boas-vindas e a visita oficial ao príncipe herdeiro, às 12 horas, hora local. Na parte da tarde, o encontro privado com os membros do Conselho dos Anciãos e na sequência o grande Encontro Inter-religioso no Founder's Memorial, onde o Papa fará seu primeiro discurso: https://is.gd/i4cbeb
Fonte: Vatican News 

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

O PAPA FRANCISCO DISCURSA PARA OS JOVENS NA JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE

VIGÍLIA COM OS JOVENS
DISCURSO DO SANTO PADRE
Campo São João Paulo II – Metro Park (Panamá)
Sábado, 26 de janeiro de 2019


Queridos jovens, boa noite!
Acabamos de ver este belo espetáculo sobre a Árvore da Vida, que mostra como a vida que Jesus nos dá é uma história de amor, uma história de vida que quer misturar-se com a nossa e criar raízes na terra de cada um. Essa vida não é uma salvação suspensa «na nuvem» – no disco virtual – à espera de ser descarregada, nem uma nova «aplicação» para descobrir ou um exercício mental fruto de técnicas de crescimento pessoal. Nem a vida que Deus nos oferece é um «tutorial» com o qual apreender as últimas novidades. A salvação, que Deus nos dá, é um convite para fazer parte duma história de amor, que está entrelaçada com as nossas histórias; que vive e quer nascer entre nós, para podermos dar fruto onde, como e com quem estivermos. Precisamente aí vem o Senhor plantar e plantar-Se a Si mesmo; Ele é o primeiro a dizer «sim» à nossa vida; Ele é sempre o primeiro. É o primeiro a dizer «sim» à nossa história e quer que também nós digamos «sim» juntamente com Ele. Ele sempre nos antecede, é o primeiro.

E foi assim que surpreendeu Maria, convidando-A para fazer parte desta história de amor. Sem dúvida, a jovem de Nazaré não aparecia nas «redes sociais» de então; Ela não era um «influenciador» (influencer, em sentido digital) mas, sem querer nem procurá-lo, tornou-Se a mulher que maior influência teve na história.

E poderíamos, com confiança de filhos, defini-La: Maria, a influenciadora [às ordens] de Deus. Com poucas palavras, teve a coragem de dizer «sim», confiando no amor, confiando nas promessas de Deus, que é a única força capaz de renovar, de fazer novas todas as coisas. E, hoje, todos temos algo para renovar dentro de nós. Hoje devemos deixar que Deus renove algo no nosso coração. Pensemos um pouco: Que quero que Deus renove no meu coração?

Sempre impressiona a força do «sim» de Maria, jovem. A força daquele «faça-se em Mim», que disse ao anjo. Foi uma coisa distinta duma aceitação passiva ou resignada. Foi qualquer coisa distinta daquele «sim» que por vezes se diz: «Bem; provemos a ver que sucede». Maria não conhecia a frase «provemos a ver que sucede». Era determinada: compreendeu do que se tratava e disse «sim», sem rodeios de palavras. Foi algo mais, qualquer coisa de diferente. Foi o «sim» de quem quer comprometer-se e arriscar, de quem quer apostar tudo, sem ter outra garantia para além da certeza de saber que é portadora duma promessa. Pergunto a cada um de vós: Sentes-te portador duma promessa? Que promessa trago no meu coração, devendo dar-lhe continuidade? Maria teria, sem dúvida, uma missão difícil, mas as dificuldades não eram motivo para dizer «não». Com certeza teria complicações, mas não haveriam de ser idênticas às que se verificam quando a cobardia nos paralisa por não vermos, antecipadamente, tudo claro ou garantido. Maria não comprou um seguro de vida! Maria embarcou no jogo e, por isso, é forte, é uma «influenciadora», é a «influenciadora» de Deus! O «sim» e o desejo de servir foram mais fortes do que as dúvidas e dificuldades.

Esta noite ouvimos também como o «sim» de Maria ecoa e se multiplica de geração para geração. Seguindo o exemplo de Maria, muitos jovens arriscam e apostam, guiados por uma promessa. Obrigado, Erika e Rogelio, pelo testemunho que nos destes. Foram ambos corajosos! Merecem um aplauso. Obrigado! Compartilhastes os vossos medos, dificuldades, todo o risco que vivestes antes do nascimento da Inês. A dada altura dissestes: «A nós, pais, por várias razões, custa muito aceitar a chegada dum bebé portador de doença ou deficiência». Isso é verdade, é compreensível! O facto surpreendente, porém, encerra-se naquilo que acrescentastes: «Quando nasceu a nossa filha, decidimos amá-la com todo o nosso coração». Antes da sua chegada, perante todas as notícias e dificuldades que surgiram, tomastes uma decisão e dissestes como Maria «faça-se em nós», decidistes amá-la. Face à vida de vossa filha frágil, inerme e necessitada, a vossa resposta, de Erika e Rogelio, foi «sim» e, deste modo, temos a Inês. Tivestes a coragem de acreditar que o mundo não é só para os fortes! Obrigado!

Dizer «sim» ao Senhor é ter a coragem de abraçar a vida como vem, com toda a sua fragilidade e pequenez e, muitas vezes, até com todas as suas contradições e insignificâncias, abraçá-la com o mesmo amor que Erika e Rogelio nos contaram. Receber a vida como vem significa abraçar a nossa pátria, as nossas famílias, os nossos amigos como são, mesmo com as suas fragilidades e mesquinhices. Damos também provas de que se abraça a vida, quando acolhemos tudo o que não é perfeito, tudo o que não é puro nem destilado, mas lá por isso não menos digno de amor. Pergunto-vos: uma pessoa portadora de deficiência, uma pessoa frágil é digna de amor? [respondem: Sim!] Não se ouve bem… [mais forte: Sim!] Compreendestes? Outra pergunta; vejamos como respondeis. Uma pessoa, mesmo que seja estrangeira, tenha errado, se encontre doente ou numa prisão, é digna de amor? [respondem: Sim!] Assim fez Jesus: abraçou o leproso, o cego e o paralítico, abraçou o fariseu e o pecador. Abraçou o ladrão na cruz, abraçou e perdoou até àqueles que O estavam a crucificar.

Porquê? Porque, só o que se ama, pode ser salvo. Tu não podes salvar uma pessoa, não podes salvar uma situação, se não a amas. Só o que se ama pode ser salvo. Vamos repeti-lo? [juntos] Só o que se ama pode ser salvo. Outra vez! [os jovens: Só o que se ama pode ser salvo]. Não o esqueçais. É por isso que fomos salvos por Jesus: porque nos ama e não pode deixar de o fazer. Podemos combiná-la de todas as cores, mas Ele continua a amar-nos e salva-nos. Porque só o que se ama pode ser salvo. Só o que se abraça, pode ser transformado. O amor do Senhor é maior que todas as nossas contradições, que todas as nossas fragilidades e que todas as nossas mesquinhices, mas é precisamente através das nossas contradições, fragilidades e mesquinhices que Ele quer escrever esta história de amor. Abraçou o filho pródigo, abraçou Pedro depois de O ter negado e abraça-nos sempre, sempre, sempre, depois das nossas quedas, ajudando-nos a levantar e ficar de pé. Porque a verdadeira queda – atenção a isto! – a verdadeira queda, aquela que nos pode arruinar a vida, é ficar por terra e não se deixar ajudar. Há uma canção alpina muito bonita, que cantam enquanto sobem a montanha: «Na arte de subir, a vitória não está em não cair, mas em não ficar caído». Não ficar caído! Estender a mão, para que te levantem. Não ficar caído.
O primeiro passo é não ter medo de receber a vida como ela vem, não ter medo de abraçar a vida como é! Esta é a árvore da vida que vimos hoje [durante a Vigília].

Obrigado, Alfredo, pelo teu testemunho e a coragem de o partilhares com todos nós. Fiquei muito impressionado quando disseste: «Comecei a trabalhar na construção até quando terminou aquele projeto. Sem emprego, as coisas complicaram-se: sem escola, sem ocupação e sem trabalho». Resumo-o nos quatro «sem» que deixam a nossa vida sem raízes e ela seca: sem trabalho, seminstrução, sem comunidade, sem família. Ou seja: uma vida sem raízes. Sem trabalho, sem instrução, sem comunidade e sem família. Estes quatro «sem» matam.
É impossível uma pessoa crescer, se não possui raízes fortes que a ajudem a estar firme de pé e agarrada à terra. É fácil extraviar-se, quando não temos onde agarrar-nos, onde firmar-nos. Esta é uma questão que nós, adultos, nos devemos colocar, nós adultos que estamos aqui; mais, é uma questão que vós devereis colocar-nos – vós jovens devereis colocar a nós adultos – e nós temos o dever de vos responder: Que raízes estamos a dar-vos? Quais são as bases que estamos a oferecer-vos para vos construirdes como pessoas? É uma pergunta para nós adultos. Como é fácil criticar os jovens e passar o tempo murmurando, se os deixamos sem oportunidades laborais, educativas e comunitárias a que agarrar-se para sonhar o futuro! Sem instrução, é difícil sonhar um futuro; sem trabalho, é muito difícil sonhar o futuro; sem família nem comunidade, é quase impossível sonhar o futuro. Porque sonhar o futuro é aprender a responder não só porque vivo, mas também para quem vivo, por quem vale a pena gastar a minha vida. E isto devemos proporcionar-vo-lo nós adultos, dando-vos trabalho, instrução, comunidade, oportunidades.

Como nos dizia Alfredo, quando alguém se vê despedido e fica sem trabalho, sem instrução, sem comunidade e sem família, no fim do dia sente-se vazio e acaba por preencher aquele vazio com uma coisa qualquer, com qualquer coisa ruim. Porque já não sabemos para quem viver, lutar e amar. Aos adultos que estão aqui e a quantos nos estão a ver, pergunto: Que fazes tu para gerar futuro, vontade de futuro nos jovens de hoje? És capaz de lutar para que tenham instrução, para que tenham trabalho, para que tenham família, para que tenham comunidade? Cada um de nós, adultos, responda no seu coração.

Lembro-me que uma vez, conversando com alguns jovens, me perguntaram: «Porque é que hoje muitos jovens não se interrogam se Deus existe, ou sentem dificuldade em crer n’Ele e evitam comprometer-se na vida?» Respondi: «E vós, que achais?» Dentre as respostas que surgiram na conversa, recordo uma que me tocou o coração e está relacionada com a experiência que Alfredo partilhou: «Padre, é que muitos deles sentem que, para os outros, pouco a pouco deixaram de existir, frequentemente sentem-se invisíveis». Muitos jovens sentem que deixaram de existir para os outros, para a família, para a sociedade, para a comunidade... e assim, muitas vezes, sentem-se invisíveis. É a cultura do abandono e da falta de consideração. Não digo todos, mas muitos sentem que não têm nem muito nem pouco para dar, por falta de espaços reais que a isso os convoquem. Como hão de pensar que Deus existe se eles mesmos – estes jovens –, para seus irmãos e para a sociedade, há muito que deixaram de existir? Assim, estamos forçando-os a não olhar para o futuro e a cair como presa de qualquer droga, de qualquer coisa que os destrói. Podemos perguntar-nos: Que faço pelos jovens que vejo? Critico-os, ou desinteresso-me deles? Ajudo-os, ou desinteresso-me deles? É verdade que, para mim, deixaram de existir há muito?

Bem sabemos que não basta estar conectado o dia inteiro para se sentir reconhecido e amado. Sentir-se considerado e convidado para algo é mais do que permanecer «em rede». Significa encontrar espaços onde possais, com as vossas mãos, com o vosso coração e com a vossa cabeça, sentir-vos parte duma comunidade maior que precisa de vós e, vice-versa, vós, jovens, precisais dela também.

Isto, compreenderam-no bem os santos. Penso, por exemplo, em São João Bosco [os jovens aplaudem], que não foi procurar os jovens em qualquer lugar distante ou especial. Vê-se que aqui estão os que gostam de São João Bosco: um aplauso! São João Bosco não foi procurar os jovens em qualquer lugar distante ou especial; simplesmente aprendeu a olhar, a ver tudo o que acontecia em redor na cidade e a vê-lo com os olhos de Deus, ficando impressionado com as centenas de crianças e de jovens abandonados, sem escola, sem trabalho e sem a mão amiga duma comunidade. Havia muita gente que vivia naquela mesma cidade, e muitos criticavam aqueles jovens, mas não sabiam vê-los com os olhos de Deus. Os jovens, é preciso vê-los com os olhos de Deus. João Bosco fê-lo e animou-se a dar o primeiro passo: abraçar a vida como ela se apresenta; e, a partir disto, não teve medo de dar o segundo passo: criar com eles uma comunidade, uma família onde se sentissem amados com trabalho e estudo, ou seja, dar-lhes raízes a que agarrar-se para poderem chegar ao céu, para poderem ser alguém na sociedade. Dar-lhes raízes onde se agarrar para não ser derrubados pelo primeiro vento que vem. Isto fez São João Bosco, isto fizeram os santos, isto fazem as comunidades que sabem ver os jovens com os olhos de Deus. Vós, adultos, aceitais ver os jovens com os olhos de Deus?

Penso em muitos lugares da nossa América Latina onde se promove a chamada família grande lar de Cristo, com o mesmo espírito de outros centros, que procuram receber a vida como ela vem na sua totalidade e complexidade, porque sabem que «para a árvore há uma esperança: cortada, pode ainda reverdecer e deitar novos rebentos» (Job 14, 7).

E sempre é possível «reverdecer e deitar novos rebentos», sempre é possível começar de novo quando há uma comunidade, o calor duma casa onde criar raízes, que oferece a confiança necessária e prepara o coração para descobrir um novo horizonte: horizonte de filho amado, procurado, encontrado e dedicado a uma missão. O Senhor torna-Se presente por meio de rostos concretos. Dizer «sim» como Maria a esta história de amor é dizer «sim» como instrumentos para construir, nos nossos bairros, comunidades eclesiais capazes de percorrer as estradas da cidade, abraçando e tecendo novas relações. Ser um «influenciador» no século XXI significa ser guardião das raízes, guardião de tudo aquilo que impede a nossa vida de se tornar «gasosa», impede que a nossa vida se evapore no nada. Vós, adultos, sede guardiões de tudo o que permite sentir-nos parte uns dos outros, guardiões de tudo aquilo que nos faz sentir que pertencemos uns aos outros.
Isto mesmo viveu Nirmeen na JMJ de Cracóvia. Encontrou uma comunidade viva, alegre, que veio ao encontro dela, deu-lhe um sentido de pertença e, consequentemente, de identidade e permitiu-lhe viver a alegria que comunica a maravilha de ser encontrada por Jesus.Nirmeen evitava Jesus, evitava-O, mantinha-se à distância, até que alguém lhe fez criar raízes, lhe deu uma pertença, e aquela comunidade deu-lhe a coragem para começar este caminho que ela nos contou.

Uma vez, um santo – latino-americano – interrogou-se: «O progresso da sociedade servirá apenas para chegar a possuir o último modelo de carro ou adquirir a última tecnologia do mercado? Nisto se resume toda a grandeza do homem? Não há mais nada que isto para viver?» (Santo Alberto Furtado, Meditación de Semana Santa para jovens, 1946). E, a vós jovens, eu pergunto: É esta grandeza que quereis, ou não? [respondem: «Não!»] Não tendes a certeza… Aqui não se ouve bem, que acontece?... [«Não!»] A grandeza não é apenas possuir o último modelo de carro ou adquirir a última tecnologia do mercado. Fostes criados para algo maior? Maria compreendeu-o e disse: «Faça-se em Mim». Erika e Rogelio compreenderam-no e disseram: «Faça-se em nós». Alfredo compreendeu-o e disse: «Faça-se em mim». Nirmeen compreendeu-o e disse: «Faça-se em mim». Ouvimo-los dizer isso mesmo aqui. Amigos, pergunto-vos: Estais dispostos a dizer «sim»? [respondem: «Sim!»] Agora respondestes… gosto mais assim! O Evangelho ensina-nos que o mundo não será melhor por haver menos pessoas doentes, menos pessoas debilitadas, menos pessoas frágeis ou idosas de que ocupar-se, nem por haver menos pecadores. Não! Não será melhor por isso. O mundo será melhor quando forem mais as pessoas que, como estes amigos que nos falaram, estiverem dispostas e tiverem a coragem de levar no ventre o amanhã e acreditar na força transformadora do amor de Deus. A vós, jovens, pergunto: Quereis ser «influenciadores» no estilo de Maria? [respondem: «Sim!»] Ela teve a coragem de dizer «faça-se em Mim»? Só o amor nos torna mais humanos, não os conflitos, nem meramente o estudo; só o amor nos torna mais humanos, mais plenificados, o resto não passa de remedeio bom, mas vazio.

Dentro de momentos, encontrar-nos-emos com Jesus vivo na Eucaristia. Certamente tereis muitas coisas para Lhe dizer, muitas coisas para Lhe contar sobre várias situações da vossa vida, das vossas famílias e dos vossos países.

Encontrando-vos na presença de Jesus, face a face, sede corajosos, não tenhais medo de Lhe abrir o coração pedindo que renove o fogo do amor d’Ele, que vos induza a abraçar a vida com toda a sua fragilidade, com toda a sua pequenez, mas também com toda a sua grandeza e beleza. Que Jesus vos ajude a descobrir a beleza de estar vivos e acordados. Vivos e acordados.
Não tenhais medo de dizer a Jesus que vós também quereis fazer parte da sua história de amor no mundo, que sois para um «mais»!

Amigos, peço-vos também que, neste face a face com Jesus, tenhais a bondade de rezar por mim, para que também eu não tenha medo de abraçar a vida, para que seja capaz de guardar as raízes e diga como Maria: «Faça-se em mim segundo a tua palavra».

Fonte: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2019/january/documents/papa-francesco_20190126_panama-veglia-giovani.html 

sábado, 26 de janeiro de 2019

VALE, MAIS UMA VEZ A VALE! Rompimento da barragem de Brumadinho MG Brasil

Vale um desenvolvimento sem sustentabilidade? 
Vale tamanho desrespeito aos seres humanos e à natureza? 
Vale um capitalismo com tamanha voracidade selvagem? 
Vale uma modernidade tão carregada de barbárie e tragédia
Não Vale!

Nilo Agostini